Era só o vazio. Qualquer coisa que ousasse florescer ali era rapidamente distorcida pelo vácuo. É, talvez a indiferença fosse mesmo a crueldade do mundo.. A falta de ar inspirava perdas, o que quer que fosse, se perdia com o tempo; não durava o suficiente pra garantir sua devida importância.. e talvez fosse assim até hoje, se não fosse por ele.
Na verdade, ele sempre esteve ali. Quando se perde a capacidade de sentir, se perde também a capacidade de acreditar no sentimento de qualquer um que queira se aproximar. Todas as intenções parecem as piores, todos os olhares trazem consigo uma insatisfação. Ele sempre esteve ali.
O carinho faz milagres, há de se concluir.
Apenas um protótipo dele, somado ao prazer do segredo; foi suficiente. Por mais que fosse reprimido, não desistiu de aquecer o frio, oxigenar o vácuo; tudo aquilo que impedia as flores de perfumarem o espaço. Ele foi mágico, foi simplório e indispensável; um carinho de resgate.
E, graças à origem, toda vez que ela decidia descampar o lugar, respirava fundo e o cheiro dele lhe vinha ao corpo. E tudo começava outra vez.
(Agosto 2008)

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