Seja o amor singelo de uma donzela crível,
seja o quase ardor impuro de uma meretriz
Deixe-me banhar sua pele com um rio de ouro
Brindemos à minha dor injusta e aos meus sonhos vis
Eu sou ferro, punho e fogo em seu caminho simples
Sou a verdade crua sobre cada passo imaculado
Pois seu sofrer é menos que minha primeira lágrima
Mas seu clamor é mais que meu menor enfado
Dirá que o amor te fez de cicatriz?
Deveras haverá feridas incuráveis
Eis que nenhuma delas lhe tomou de ardil
Jogue aos céus seus infalíveis brados
Julgando a dor que nunca sentirá
Crente no amor que tampouco sentiu.
(Março 2009)

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