Mosqueando
Concedeu-me o tempo de um pavio.
Iluminada a partida, fiquei só, matutando a ausência de sua réstia de luz, esquecendo de me perguntar de que diabos me serviu tamanha sombra a escorregar, tão fugidia, do alcance de meus olhos. Esvaía-se a cada gota de cera a proteção leviana com a qual me afortunara. Irônico! Sei hoje que previa em minha angústia de não sei o quê nem porquê nem pra quê que a escuridão não deixaria por menos, e anunciaria teus passos ruidosos em direção a qualquer outro lugar que não aqui, avultando-se sobre minha chama preciosa a cada sussurrar de inspiração.
E te pergunto, aprendiz de vaga-lume: de que me serviu?
E no mais, de que te serviu tamanha obrigação? Guardasse pra teus amores mais amores esse punhado de Sol passageiro, se algum dia deixar que o vejam sem óculos escuros: não o quero! Não quero mais tuas ceras esculpindo meus sonhos. Não quero mais o seu tenho-quê. Vá, dever cumprido, que me acho sozinha, no escuro que vier, sem contagem regressiva-missiva-volátil-passadiça ou qualquer iva com a qual queira me presentear. De presentes já me basto. De luz, me aquece o Sol de fim de tarde, que avermelha a esperança de seus súditos com sua intenção de desaparecer enquanto os conforta com a certeza de sua volta inevitável.
(Novembro 2012)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário